Postagens

Me falaram...

Imagem
Me falaram que não tenho culpa das violências que sofri.  Me falaram que é enraizado esta falta de fé em si mesma, por ser negra e marginalizada. Me falaram que sou forte. Me falaram que sou resiliente. Me falaram que eu posso. Me falaram... Também me falaram que eu não vou progredir. Falaram que eu deveria desistir pois não vale a pena o esforço.  Falaram que eu não tenho inteligência suficiente pra estar onde estou. Falaram que eu não sou importante.  Falaram que eu não faço falta. Falaram que eu deveria sumir... E eu? Eu tenho a tendência a acreditar nestas últimas coisas que me falaram, pois me parecem mais verdadeiras que as primeiras. As primeiras me soam falsas e repletas de credos inconsistentes.  Penso muito no que me falaram. E este pensar cansa. Estou cansada de ouvir me falarem coisas.

Rosilda lembra de sua conversa com a psiquiatra

Imagem
Em uma das consultas ela (a psiquiatra) me sugeriu que escrevesse as pequenas alegrias e momentos em que me sentia bem. Achei uma petulância sem igual! Como posso me contentar com migalha?! Como posso aceitar que uma hora feliz é melhor que nenhuma?! Aí alguém diz... "mas ninguém está bem o tempo todo...". E quando que normalizamos o sofrimento? Quer dizer que eu não posso querer ficar bem em mais tempo do que me sentindo mal? Será se a vida é isso mesmo? Quando foi que assinei esse contrato que me deixou em maus lençóis? Não lembro. Gostaria de me lembrar do dia que tudo mudou. Gostaria de lembrar. Queria lembrar. Quero lembrar. Como que lembra? Sinto que se comemorar as pequenas alegrias estarei me traindo e fazendo exatamente o que o sistema quer. E eu quero isso? Não sei. As palavras são tantas... porém vazias de sentido.  Será se algum dia vou ver sentido na vida? Será se algum dia vou querer viver e deixar de existir? Será? Será? SERÁ? não sei... O que sei é...

Questões da vida de Rosilda

Imagem
  Em busca de descobrir o que me motiva a viver, estive visitando minhas memórias através das fotografias... cheguei a conclusão que me perdi em algum momento de quem sou, e não percebi que segui com um corpo com a essência perdida. Escrevo para tentar explorar nas palavras algum sentido no que ando sentindo. Sinto algo que não tenho vocabulários capaz de descrever. Existe um vazio.  Me questiono sobre a finalidade da vida e o que me motiva estar aqui e agora. Não tenho resposta. O silêncio me invade, assim como um barulho ensurdecedor de vozes que ecoam na minha cabeça.  Perdi o controle em deixar as pernas e mãos quietas. É uma forma de aliviar a tensão e ansiedade que me atravessa. O vazio é real. Como me livrar dele? Como que preenche? Como que convive com ele? A mesma resposta tenho para as três perguntas: Não sei. Essa falta de conhecimento me corrói. Não saber é muito doloroso. Não sei como cheguei neste ponto de tanta insatisfação com a vida. E não sei...

O dia que tudo mudou...

Imagem
O dia em que tudo mudou... Será se foi no dia que um estranho se masturbou e ejaculou em mim no ônibus quando eu era adolescente? Ou será que foi quando questionaram minha inteligência, como se eu tivesse a obrigação de saber o que não me foi ensinado? Ou foi quando me podaram quando eu fui expressiva, e falaram que meninas não são assim? Foi quando me perguntaram se meu cabelo era do tipo A ou tipo B?  Aí descobri depois que o tipo A era assolan e o tipo B bombril.  Será se foi quando eu manifestei minha opinião e falaram que não posso responder os mais velhos? Será se foi quando me perguntaram se eu cantava bem só pelo fato de ser negra? Será se é pelo fato de ter nascido uma mulher negra? Foi por eu ter nascido? Foi quando eu estava sendo formada no ventre de minha mãe que o curso da minha história mudou? Não tenho nenhuma dessas respostas.  E isto me dói.  Sim, me traz angústia não saber. Se eu tivesse a oportunidade de voltar no tempo, será se faria ...