Rosilda lembra de sua conversa com a psiquiatra
Em uma das consultas ela (a psiquiatra) me sugeriu que escrevesse as pequenas alegrias e momentos em que me sentia bem. Achei uma petulância sem igual!
Como posso me contentar com migalha?!
Como posso aceitar que uma hora feliz é melhor que nenhuma?!
Aí alguém diz... "mas ninguém está bem o tempo todo...". E quando que normalizamos o sofrimento?
Quer dizer que eu não posso querer ficar bem em mais tempo do que me sentindo mal?
Será se a vida é isso mesmo?
Quando foi que assinei esse contrato que me deixou em maus lençóis?
Não lembro.
Gostaria de me lembrar do dia que tudo mudou. Gostaria de lembrar. Queria lembrar.
Quero lembrar.
Como que lembra?
Sinto que se comemorar as pequenas alegrias estarei me traindo e fazendo exatamente o que o sistema quer. E eu quero isso?
Não sei.
As palavras são tantas... porém vazias de sentido.
Será se algum dia vou ver sentido na vida?
Será se algum dia vou querer viver e deixar de existir?
Será?
Será?
SERÁ?
não sei...
O que sei é que me encontro dentro de um grande caldeirão que me cozinha em fogo baixo... a colher de pau mexendo e remexendo... o caldo engrossando... e o vazio aumentando.
E a psiquiatra?
Ah, na próxima consulta falarei que não fiz o dever de casa. E se me questionar o motivo, tenho ele na ponta da língua... "sinto muito doutora..., mas eu sou muito, e o pouco não me satisfaz".
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